Sabia que na secção de música de Lisboa pode aprender a tocar Guitarra, Piano e ainda aprender Teoria Musical?
É verdade. Mérito dos seccionistas que dão muito do seu tempo para que a secção se mantenha bem viva e com muita energia. O atual seccionista Carlos Pinheiro à frente da secção desde 2011, altura em que ele e a colega Felicidade Brito, que entretanto se reformou, resolveram reanimar a secção, dando-lhe um novo impulso e adaptando-a às necessidades dos sócios e beneficiários.
Houve uma reestruturação em termos de organização e contrataram-se novos e muito bons professores. Procurou-se adaptar e conciliar os horários das aulas com os interesses e disponibilidade de alunos e professores.
É um trabalho diário, diz Carlos Pinheiro, que exige muito do nosso tempo e muita dedicação, pois há sempre assuntos para resolver. Temos sorte com os professores e com os alunos (já são 125 praticantes), mas as questões são sempre resolvidas por nós.
Gosto muito de música. Os meus filhos estão ligados à música desde pequenos. Tinham 6 anos quando começaram a aprender piano aqui na secção. A música faz bem às crianças, ajuda-as a crescer com mais maturidade e a olhar para o mundo de uma forma mais humana e solidária. Desenvolve também as habilitações que precisam para ter sucesso na vida: a autodisciplina, capacidade de concentração, sensibilidade, coordenação motora, compreensão dos conceitos matemáticos, disciplina, responsabilidade, autoestima e confiança são valorizados com o estudo da música.
A música e as artes são linguagens universais entendidas por todos em qualquer lugar do mundo e contribuem para que as pessoas se sintam melhor, se emocionem e vivam momentos de fruição memoráveis.
Estão a pensar incluir a aprendizagem de mais instrumentos para além da guitarra e do Piano?
Depende do interesse. Se houver um número suficiente de alunos interessados num determinado instrumento que justifique a criação de novas aulas. Porque não?
Para quando promover um espetáculo cá dentro com os alunos?
Nos últimos anos, alguns alunos participaram em eventos sociais organizados pela CGD (cerimónia de entrega dos prémios do concurso Caixa Ideias) e pelos próprios Serviços Sociais, nas Galas dos Aniversários do nosso Grupo de Dadores de Sangue.
Alguns alunos de piano participaram em audições promovidas pelos seus professores que possibilitaram que mostrassem aos seus pais e familiares o que já tinham aprendido nas aulas.
Estamos a estudar a hipótese de, no próximo ano, vir a organizar uma audição que possa englobar a apresentação dos alunos de piano e de guitarra. Vamos tentar.
O nosso professor de guitarra
Vamos conhecer um pouco melhor a secção, começando pelas aulas de Guitarra. E porquê pela Guitarra? Porque na última Assembleia de Delegados tivemos oportunidade de ouvir um pequeno concerto do professor de Guitarra, João Santos, que nos encantou…
Quantos alunos/alunas frequentam as aulas? Horários?
Neste momento tenho perto de 60 alunos a frequentarem as minhas aulas aqui nos Serviços Sociais. Desde crianças de 6, 7 anos, a adultos no ativo e outros já aposentados. São aulas de grupo, com duração de 45 minutos e decorrem às segundas (das 12:15 às 14:30 e das 17:00 às 20:00), terças (das 17:00 às 20:00) e quartas (das 12:15 às 14:30 e das 17:00 às 20:00).
Há mais homens ou mulheres nas suas aulas?
Diria que, em relação aos sexos, há um grande equilíbrio. Num universo de 60 alunos há apenas mais quatro pessoas do sexo masculino.
Aprender música ou a tocar guitarra é uma questão de moda?
A procura das aulas é relativamente constante, não me parecendo que obedeça a modas.
A opção por aprender a tocar guitarra, numa primeira fase, é sempre mais elevada do que outros instrumentos musicais devido à sua portabilidade, versatilidade e baixo custo de aquisição.
Por outro lado, a guitarra é um instrumento muito versátil, presente em vários estilos de música, que permite diversas abordagens, quase todas elas motivantes e desafiantes para os alunos que procuram as aulas.
O que gosta mais nas suas aulas?
Trabalhar com pessoas dos 6 aos 70 é um enorme desafio mas também uma experiência muito gratificante. Conciliar todos os seus interesses e motivações e vê-los tocar é o que mais me satisfaz
Procuro agrupar os alunos dentro das suas áreas de interesse.
Há alunos que preferem uma abordagem mais clássica, com leitura de partituras, conhecimento de reportório – existem na secção aulas de formação musical que são um valioso complemento. Outros preferem uma abordagem mais ligeira como o rock, pop, blues, incidindo mais nos acordes, leitura de cifra, escalas etc.
Procuro sempre conciliar a transmissão dos meus conhecimentos, que vêm da minha formação e experiência profissional, com a sensação de bem-estar que a música provoca em todos nós.
O interesse por tocar um determinado instrumento mantem-se ao longo da vida ou apenas enquanto crianças e acaba na juventude?
Acaba por acontecer um pouco das duas situações. A aprendizagem dum instrumento “a sério” implica grandes sacrifícios de tempo e de trabalho. Nalguns casos os jovens têm outras prioridades que acabam por se sobrepor, pois sentem que não têm tempo para tudo. Noutros casos a música acaba por acompanhá-los ao longo da vida, mesmo que seja em paralelo com uma outra actividade principal.
Dos alunos(as) que tem/teve aqui nos SSCGD há algum(a) que se tenha destacado como músico/a?
Tivemos alguns sucessos de alunos que prestaram provas e foram admitidos em institutos especializados no ensino de música (Matono e Gregoriano) e alguns deles ainda continuam connosco.
Que conselho daria a um seu aluno que quisesse ingressar por uma carreira musical?
A todos aqueles que desejem fazer da música as suas vidas recomendo que estudem muito e que sejam responsáveis. O mundo da música vai muito para lá do circo mediático criado à volta das estrelas da pop e do rock.
A Competência, Seriedade e a Vontade são ingredientes essenciais para se poder vencer.
Agora sobre o Professor:
João Santos, 39 anos, professor de guitarra na secção de música dos Serviços Sociais desde 2012 – começou a dar aulas de educação musical em 1999, num externato que de um momento para o outro ficou sem o professor. A experiência deveria ter durado apenas um mês mas foi tomando o gosto pelo ensino da música, e nunca mais parou. Anos mais tarde começou a dar aulas de guitarra. Á medida que a sua carreira de guitarrista se consolidava, foram aparecendo cada vez mais mais alunos interessados nas suas aulas.
Começou a tocar guitarra com 12 anos mas só aos 19 anos, após o ingresso na Escola de Jazz do Hot Clube e depois na Academia dos Amadores de Musica, começou a ver a música como uma prioridade na sua vida.
A aprendizagem da Guitarra surgiu naturalmente. Desde criança que se destacou na música e que desejava muito expressar-se musicalmente, pelo que a guitarra veio por consequência. A nível de formação andou, desde cedo, pelo jazz e pela guitarra clássica, investindo na sua versatilidade enquanto guitarrista. O que se tem revelado uma condição essencial para sobreviver numa profissão tão oscilante.
Agrupamento musicais a que pertence
João Santos é guitarrista dos “Lucky Duckies” desde 2010, banda que vai desde o swing dos anos 20/30 ao rock dos anos 60 do séc. XX. Neste agrupamento fez mais de 200 concertos, gravou dois discos, um sairá no início de 2017, e um DVD ao vivo.
Pertence ainda a um Trio de Jazz “Les Triplettes de Lisbonne”, que celebra o reportório e a sonoridade do jazz manouche dos anos 30/40 do séc. XX, tocando em bares, festivais, auditórios e eventos particulares.
É um dos membros fundadores do grupo que, desde 2004, faz os Concertos para Bebés que se realizam semanalmente no Oceanário de Lisboa. Já com mais de 650 concertos de repertório.
Faz ainda parte de um trio “Viagens de Beckford”, que interpretam as famosas Modinhas Luso-brasileiras do séc. XVIII, em eventos de carácter setecentista,
Também tocou no grupo “Sylvie C” que nos anos de 2005 a 2007 esteve em cartaz no Du Art Lounge do Casino Estoril
Percorreu o país com um grupo de tributo a Tom Jobim





